quinta-feira, 27 de junho de 2013

Que Ensino Temos? by Denilson Botelho




                A carreira do magistério, tal como nas universidades públicas federais, deve ser estimulante, “meritocrática” e motivar a qualificação. Professores da educação básica devem ser reconhecidos também como pesquisadores em suas áreas de atuação e, na medida em que realizem mestrado e doutorado, alcançarão outros níveis da carreira.

                É claro que tudo isso deve se refletir também nas universidades públicas, onde os salários precisam ser equiparados às carreiras de excelência do Estado. E onde os professores não passem mais do que oito horas semanais em sala de aula – conquista que no sul e sudeste do país já foi concretizada, mas no norte e nordeste ainda está longe de ser uma realidade -, para assim poder dar conta de outras atribuições fundamentais relacionadas a pesquisa, orientação, produção de conhecimento e formação de novos quadros profissionais.

                Nas últimas décadas, o que temos assistido no campo da educação é a perversa imposição de duvidosas metas produtivistas que visam melhorar a qualidade do ensino. Na prática, isso tem se traduzido em iniciativas do tipo “vamos pagar mais ao professor que aprovar (produzir) mais alunos”. O resultado desastroso dessa política está aí, nas ruas, nos gritos dos nossos jovens por uma educação de melhor qualidade.
                Portanto, é hora de inverter a estratégia. Tornemos primeiramente o magistério uma área de atuação cobiçada e regiamente remunerada. Feito isso, aí sim podemos retomar o debate sobre metas e produtividade – caso ele não tenha caducado e se tornado completamente desnecessário em face de um corpo docente nacional majoritariamente dedicado, empenhado no êxito do seu trabalho e orgulhoso das condições socioeconômicas de que dispõe para exercer sua atividade profissional e viver.

                Os royalties do petróleo podem fazer uma revolução na educação do nosso país, desde que observada a prioridade de investimento nos salários dos professores da educação básica e a necessária ruptura com um modelo de avaliação da eficiência do ensino regido por metas “quantitativistas” estritamente neoliberais. Estamos diante de mais uma oportunidade para intervir no debate sobre a qualidade do ensino. Debate esse que foi sequestrado por “sábios” gerentes travestidos de secretários de educação, mas cujo ramo efetivo de atuação é o negócio do ensino, o de como educar mais, gastando menos e lucrando o máximo possível. É contra esse modelo de ensino que o povo está nas ruas.

Matéria: Denilson Botelho
Edição e fotos: Rodrigo Rocco


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