A
carreira do magistério, tal como nas universidades públicas federais, deve ser
estimulante, “meritocrática” e motivar a qualificação. Professores da educação
básica devem ser reconhecidos também como pesquisadores em suas áreas de
atuação e, na medida em que realizem mestrado e doutorado, alcançarão outros
níveis da carreira.
É
claro que tudo isso deve se refletir também nas universidades públicas, onde os
salários precisam ser equiparados às carreiras de excelência do Estado. E onde
os professores não passem mais do que oito horas semanais em sala de aula –
conquista que no sul e sudeste do país já foi concretizada, mas no norte e
nordeste ainda está longe de ser uma realidade -, para assim poder dar conta de
outras atribuições fundamentais relacionadas a pesquisa, orientação, produção
de conhecimento e formação de novos quadros profissionais.
Nas
últimas décadas, o que temos assistido no campo da educação é a perversa
imposição de duvidosas metas produtivistas que visam melhorar a qualidade do
ensino. Na prática, isso tem se traduzido em iniciativas do tipo “vamos pagar
mais ao professor que aprovar (produzir) mais alunos”. O resultado desastroso
dessa política está aí, nas ruas, nos gritos dos nossos jovens por uma educação
de melhor qualidade.
Portanto,
é hora de inverter a estratégia. Tornemos primeiramente o magistério uma área
de atuação cobiçada e regiamente remunerada. Feito isso, aí sim podemos retomar
o debate sobre metas e produtividade – caso ele não tenha caducado e se tornado
completamente desnecessário em face de um corpo docente nacional
majoritariamente dedicado, empenhado no êxito do seu trabalho e orgulhoso das
condições socioeconômicas de que dispõe para exercer sua atividade profissional
e viver.
Os
royalties do petróleo podem fazer uma revolução na educação do nosso país,
desde que observada a prioridade de investimento nos salários dos professores
da educação básica e a necessária ruptura com um modelo de avaliação da
eficiência do ensino regido por metas “quantitativistas” estritamente
neoliberais. Estamos diante de mais uma oportunidade para intervir no debate
sobre a qualidade do ensino. Debate esse que foi sequestrado por “sábios”
gerentes travestidos de secretários de educação, mas cujo ramo efetivo de
atuação é o negócio do ensino, o de como educar mais, gastando menos e lucrando
o máximo possível. É contra esse modelo de ensino que o povo está nas ruas.
Matéria: Denilson Botelho
Edição e fotos: Rodrigo Rocco

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