Dessa
vez eu fui. E eles também foram. Todos estavam lá. Manifestantes, estudantes, o
Batalhão de Choque, helicópteros, a Força Nacional, policiais militares,
jornalistas, torcedores e curiosos.
Domingo
foi mais um dia de protestos contra o aumento das passagens. E não faltou
covardia. Quando eu cheguei, bombas de gás já haviam dispersado a concentração
em frente à Estação São Cristóvão.
Nos reunimos novamente em frente a Quinta da Boa Vista, onde várias
famílias também inalaram o gás lacrimogênio lançado nos manifestantes que
protestavam pacificamente, cantando o hino nacional.
Eu vi uma estudante, como a Cecília, levar um tiro de bala de borracha porque estava ajoelhada, pedindo menos violência. Ela foi amparada por outros manifestantes enquanto corria do Choque, que não parava de atirar a jogar bombas. "A dor era lancinante", disse ela.
O que não dá para entender é a violência. Não
dá para entender a brutalidade na repressão. Será que o fardado ainda não
entendeu que ele também é explorado?
Na volta para casa, no metrô - que não cobrou passagem -
torcedores reclamavam do preço abusivo de bebidas no estádio. "Uma garrafa
de água por R$ 6,00?? E o latão da Brahma?? custava R$ 9,00". O problema é
que esses torcedores só faziam o que nós, brasileiros, fizemos por muito tempo:
reclamavam.
É lamentável perceber que você vive mesmo em uma ditadura.
A ditadura do Carnaval. Do futebol. Eles dizem: "Fique feliz, ai!
Divirta-se!". Por que se você quiser reclamar, mesmo que tenha razão,
mesmo que de cara limpo e desarmado, você apanha. Esse é o fascismo vergonhoso
do Cabral, que levanta bandeiras de partidos em um movimento popular para ter
desculpas, gaguejantes, de reprimi-lo.
A mensagem por trás de toda essa violência é: Fique quieto.
Fique calado. Pegue sua fila e embarque no metrô lotado. Receba seu salário e
pague o que der. Com o troco, compre uma cerveja e assista à novela.
No
final, o que importa, é que a Itália fez 2 a 1 no México.
Larissa D'Almeida

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