terça-feira, 18 de junho de 2013

A Alegria dos Condenados by Larissa D'Almeida



Dessa vez eu fui. E eles também foram. Todos estavam lá. Manifestantes, estudantes, o Batalhão de Choque, helicópteros, a Força Nacional, policiais militares, jornalistas, torcedores e curiosos.

Domingo foi mais um dia de protestos contra o aumento das passagens. E não faltou covardia. Quando eu cheguei, bombas de gás já haviam dispersado a concentração em frente à Estação São Cristóvão.


Nos reunimos novamente em frente a Quinta da Boa Vista, onde várias famílias também inalaram o gás lacrimogênio lançado nos manifestantes que protestavam pacificamente, cantando o hino nacional.

Eu vi uma estudante, como a Cecília, levar um tiro de bala de borracha porque estava ajoelhada, pedindo menos violência. Ela foi amparada por outros manifestantes enquanto corria do Choque, que não parava de atirar a jogar bombas. "A dor era lancinante", disse ela.


O que não dá para entender é a violência. Não dá para entender a brutalidade na repressão. Será que o fardado ainda não entendeu que ele também é explorado?


Na volta para casa, no metrô - que não cobrou passagem - torcedores reclamavam do preço abusivo de bebidas no estádio. "Uma garrafa de água por R$ 6,00?? E o latão da Brahma?? custava R$ 9,00". O problema é que esses torcedores só faziam o que nós, brasileiros, fizemos por muito tempo: reclamavam.


É lamentável perceber que você vive mesmo em uma ditadura. A ditadura do Carnaval. Do futebol. Eles dizem: "Fique feliz, ai! Divirta-se!". Por que se você quiser reclamar, mesmo que tenha razão, mesmo que de cara limpo e desarmado, você apanha. Esse é o fascismo vergonhoso do Cabral, que levanta bandeiras de partidos em um movimento popular para ter desculpas, gaguejantes, de reprimi-lo. 


A mensagem por trás de toda essa violência é: Fique quieto. Fique calado. Pegue sua fila e embarque no metrô lotado. Receba seu salário e pague o que der. Com o troco, compre uma cerveja e assista à novela.

No final, o que importa, é que a Itália fez 2 a 1 no México.


Larissa D'Almeida

Edição e foto:Rodrigo Rocco

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