No ano passado, a luta mais
esperada foi entre Anderson Silva e Chael Sonnen. Os brasileiros estavam com os
ânimos inflamados porque Chael havia falado demais. Muitos se sentiram
desrespeitados e torciam com unhas e dentes para o falastrão perder.
Inicialmente, ele assustou, conseguiu manter o Spider no chão durante o
primeiro round. Mas, no segundo, escorregou e caiu nas teias de Anderson.
Na época, Silva falou em seu “bom
inglês” que Chael não respeitava o Brasil, nem a ninguém. Estava revoltado com
o americano e parecia muito orgulhoso por tê-lo vencido. Um ano depois, em uma
nova defesa do seu cinturão, Anderson pareceu querer aquela antipatia que Chael
havia conquistado.
Subiu no octógono para brincar.
Pouco golpeou Chris Weidman. Apenas brincou ou provocou, como ele prefere
dizer. Mas, a verdade foi que o desafiador não se desestabilizou e acertou um
belo cruzado de esquerda no queixo do campeão. Após a inesperada derrota de Anderson
Silva, as opiniões se dividiram. Muitos criticaram a excessiva provocação,
outros falaram que esta sempre foi a tática de Anderson, só que não deu certo
dessa vez e que ele foi humilde de dar os créditos ao novo detentor do
cinturão.

Quem viu a luta, pôde ouvir a
vibração da torcida quando o Spider fazia as suas gracinhas. Aposto que 80%
dessas pessoas que estavam em Las Vegas vibrando o criticaram nas redes
sociais. Os mais fãs de Silva chamam estes de hipócritas, afirmando que se ele
tivesse vencido, todos estariam aplaudindo.
Concordo com essa constatação apesar de discordar do fato que o Anderson
sempre tenha lutado desta forma e tenha sido humilde. Ele sempre provocou e
abusou da confiança em sua esquiva, mas ele nunca permaneceu em uma estratégia
que não tenha dado certo. Tampouco mostrou humildade em alguma entrevista.
Falo isso para esclarecer meu
posicionamento: Anderson Silva sentiu que Chris Weidman estava muito preparado
e temeu ser desmoralizado com a derrota. A estratégia do desafiador era levar o
Spider para o chão na tentativa de finalizá-lo. Logo no início da luta, ele
conseguiu derrubar Silva. Este estava com a tática de desestabilizar o
adversário. Só que Weidman manteve o foco, ou seja, 1 x 0 para Chris.
Penso que foi nesta hora que o
lutador brasileiro temeu. Experiente como é, sentiu que podia perder. Seu
orgulho o fez continuar na falível tática. Afinal, seria muito mais fácil
perder porque brincou do que aceitar que há um lutador melhor do que ele.
Imagino que seja difícil mesmo.
Ninguém gosta de perder. Anderson Silva realmente é uma lenda do UFC. É detentor
de inúmeros recordes e poucos acreditaram que alguém pudesse tirar a sua
majestade. Pelo visto, nem ele. Após a derrota, repetiu algumas vezes que todos
deveriam respeitar o novo campeão. Uma tentativa falha de demonstrar humildade.
Pois, ele mesmo não respeitou Weidman e se quisesse ser humilde, deveria
assumir que esbanjou da brincadeira e que Chris manteve o foco e lhe derrotou.
Mas isso eu jamais esperaria de alguém que falou
que a luta do século deveria ser entre ele e o clone dele. No mais, espero que
o cruzado de esquerda do Weidman tenha acertado a soberba de Anderson Silva e
que ele possa limpar este capítulo da sua história.
Laíse Menucci
Edição e fotos: Rodrigo Rocco