quarta-feira, 22 de maio de 2013

O Jeitinho "Hermano - Brasileiro" de jogar futebol.


Aos 45 minutos do segundo tempo, vem ele, o craque do time, tentando mais uma jogada individual a fim de alcançar a meta para, enfim, colocar o seu time à frente do placar. É uma das últimas chances de chegar ao ataque. Aí a criatura sente uma mãozinha nas costas e se atira ao chão, na tentativa de cavar um pênalti, obviamente, sem sucesso.


Esta cena não foi estrelada por nenhum jogador em minha narração por tão comum que ela tem sido. Fazendo uma estatística ocular (bem otimista), diria que 75% dos jogadores de futebol já protagonizaram essa façanha. Pergunto-me por quê? Será que eles não perceberam que na maioria das vezes essa tentativa é frustrada e tudo que o jogador ganha é um título de “cai-cai”, alguns xingamentos oriundos da torcida e um tiro de meta contra o seu time. Sem contar no cartão amarelo que vem de brinde em muitas vezes.

O futebol brasileiro sempre foi admirado no mundo inteiro. Os jogadores habilidosos foram a nossa marca registrada. Muitos ganharam o mundo com os seus dribles. Hoje, nosso principal nome da seleção continua encantando com os seus dribles, mas sempre é vaiado nos estádios pela já conquistada fama de “cai-cai”.
Em 2012, tive a oportunidade de acompanhar bem os jogos da Euro Copa. Confesso que senti inveja daquele povo. É incrível a lealdade com que jogam os estrangeiros. Sem a tentativa de simular faltas, sem reclamar a cada apito do árbitro e, principalmente, sem fazer cera.


É revoltante ver que estes elementos que admirei não estarem presentes no futebol europeu tenham se tornado a cara do futebol brasileiro. Lembro na final da Taça Guanabara de 2013, Vasco contra Botafogo. O time cruz maltino tinha a vantagem do empate e desde os primeiros minutos de jogo, o goleiro Alessandro estava demorando para repor a bola. Revoltada com a situação, comecei a contabilizar de quantos segundos era a demora. Juro a vocês: era de, no mínimo, 15 segundos. Vale ressaltar que a regra permite apenas seis segundos para a reposição de bola.

Nesta ocasião, o feitiço virou contra o feiticeiro, o Botafogo conseguiu abrir placar e o Vasco teve que correr contra o tempo e, felizmente, cumpriu com a sua escrita e foi vice de novo. Não costumo torcer contra o Vasco, mas neste dia, eles mereceram todas as “secadas” do mundo.

Essa cena está presente em qualquer partida de futebol dos torneios brasileiros. Pode assistir a qualquer jogo que verás pelo menos uma daquelas características que citei, senão todas. É triste ver que de artistas da bola, os brasileiros vêm se tornando os malandros da bola. Infelizmente, este tem sido o jeitinho "Hermano - Brasileiro" de jogar futebol.

Laíse  Menucci

Perfil Laíse  Menucci

Laíse Menucci: 24 anos, jornalista (com diploma) e jogadora de futebol. A paixão pelo esporte nasceu cedo. Desde os sete anos de idade era a única menina no meio de um monte de meninos jogando futebol. Tive dos mais diversos apelidos, sempre remetendo a ser a única de cabelo grande. Já fui Sorín, Zamorano e Loco Abreu. Em uma época fora de forma, chamaram-me até de Ronaldo. Já no Jornalismo, a paixão nasceu no primeiro ano de faculdade. Nesta área, pude me sentir numericamente superior e desenvolver meu dom na escrita. Agradeço ao Rodrigo por dar-me a oportunidade de juntar as minhas duas paixões, colaborando com o “Na Lata”. Espero que gostem! 

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Artigo cedido ao Na lata por: Laíse Menucci

Edição: Rodrigo Rocco

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