Aos 45 minutos do segundo tempo, vem ele, o craque do time, tentando mais uma jogada individual a fim de alcançar a meta para, enfim, colocar o seu time à frente do placar. É uma das últimas chances de chegar ao ataque. Aí a criatura sente uma mãozinha nas costas e se atira ao chão, na tentativa de cavar um pênalti, obviamente, sem sucesso.
Esta cena não foi estrelada por
nenhum jogador em minha narração por tão comum que ela tem sido. Fazendo uma
estatística ocular (bem otimista), diria que 75% dos jogadores de futebol já
protagonizaram essa façanha. Pergunto-me por quê? Será que eles não perceberam
que na maioria das vezes essa tentativa é frustrada e tudo que o jogador ganha
é um título de “cai-cai”, alguns xingamentos oriundos da torcida e um tiro de
meta contra o seu time. Sem contar no cartão amarelo que vem de brinde em
muitas vezes.
O futebol brasileiro sempre foi
admirado no mundo inteiro. Os jogadores habilidosos foram a nossa marca
registrada. Muitos ganharam o mundo com os seus dribles. Hoje, nosso principal
nome da seleção continua encantando com os seus dribles, mas sempre é vaiado
nos estádios pela já conquistada fama de “cai-cai”.
Em 2012, tive a oportunidade de
acompanhar bem os jogos da Euro Copa. Confesso que senti inveja daquele povo. É
incrível a lealdade com que jogam os estrangeiros. Sem a tentativa de simular
faltas, sem reclamar a cada apito do árbitro e, principalmente, sem fazer cera.
É revoltante ver que estes
elementos que admirei não estarem presentes no futebol europeu tenham se
tornado a cara do futebol brasileiro. Lembro na final da Taça Guanabara de
2013, Vasco contra Botafogo. O time cruz maltino tinha a vantagem do empate e
desde os primeiros minutos de jogo, o goleiro Alessandro estava demorando para
repor a bola. Revoltada com a situação, comecei a contabilizar de quantos
segundos era a demora. Juro a vocês: era de, no mínimo, 15 segundos. Vale
ressaltar que a regra permite apenas seis segundos para a reposição de bola.
Nesta ocasião, o feitiço virou
contra o feiticeiro, o Botafogo conseguiu abrir placar e o Vasco teve que
correr contra o tempo e, felizmente, cumpriu com a sua escrita e foi vice de
novo. Não costumo torcer contra o Vasco, mas neste dia, eles mereceram todas as
“secadas” do mundo.
Essa cena está presente em
qualquer partida de futebol dos torneios brasileiros. Pode assistir a qualquer
jogo que verás pelo menos uma daquelas características que citei, senão todas.
É triste ver que de artistas da bola, os brasileiros vêm se tornando os
malandros da bola. Infelizmente, este tem sido o jeitinho "Hermano - Brasileiro" de jogar
futebol.
Laíse Menucci
Perfil Laíse Menucci
Laíse
Menucci: 24 anos, jornalista (com diploma) e jogadora de futebol. A paixão pelo
esporte nasceu cedo. Desde os sete anos de idade era a única menina no meio de
um monte de meninos jogando futebol. Tive dos mais diversos apelidos, sempre
remetendo a ser a única de cabelo grande. Já fui Sorín, Zamorano e Loco Abreu.
Em uma época fora de forma, chamaram-me até de Ronaldo. Já no Jornalismo, a
paixão nasceu no primeiro ano de faculdade. Nesta área, pude me sentir
numericamente superior e desenvolver meu dom na escrita. Agradeço ao Rodrigo
por dar-me a oportunidade de juntar as minhas duas paixões, colaborando com o
“Na Lata”. Espero que gostem!
Contatos Laíse Menucci
e-mail
Facebook
Para saber mais sobre Laíse Menucci acesse o links e converse com ela!!!!!
Artigo cedido ao Na lata por: Laíse Menucci
Edição: Rodrigo Rocco


Nenhum comentário:
Postar um comentário